quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

thankx mathieu! it's wild!

When you see this you won't believe it.

click here.... then fly!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Torga. Viagem. 1962.

Aparelhei o barco da ilusão
E reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar...
(Só nos é concedida
Esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos).

Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura...
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura,
O que importa é partir, não é chegar.

domingo, 25 de janeiro de 2009

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

o "meu" torga... que entra no coração

Miguel Torga - Contos da Montanha

O Cavaquinho

O Ronda era o homem mais pobre de Vilela. Mas teve uma tal alegria quando o filho, o Júlio, fez o primeiro exame com óptimo, que prometeu pela sua salvação que lhe havia de dar uma prenda no Natal. O rapaz ouviu-lhe a jura desconfiado. Apesar dos dez anos, já conhecia a vida. Uma prenda, se nem dinheiro havia para broa! Em todo o caso, pelo sim, pelo não, foi pondo de vez em quando uma acha na lembrança do pai, e em Dezembro, na véspera da feira dos 23, avivou a chama:
- Então sempre vai à Vila?
- Pois vou.
- E traz-me a prenda?
- Trago.
Fez-se silêncio. A ceia tinha sido caldo de couves e castanhas cozidas. Mais nada. A noite estava de invernia. Sobre o telhado caíam bátegas rijas de chuva. E como a casa era de pedra solta e telha vã, cheia de frestas, o vento, que parecia o diabo, de vez em quando entrava por um buraco a assobiar, passava cheio de humidade pela chama da candeia, que se torcia toda, e sumia-se por debaixo da porta como um fantasma. Mas a murra de castanheiro a arder e aquela firmeza com que o Ronda garantiu a promessa, doiravam tudo de fartura e aconchego.
- E o que é quemevai dar?
- Isso agora...
- O que é?! Foi preciso a mãe arrumar o assunto com as rezas e a cama.
- Infinitas graças vos sejam dadas, meu Deus e meu Senhor...
As palavras saíam-lhe da boca límpidas, quentes, solenes. E o pequeno, que já ouvira aquela lenga-lenga milhentas vezes, sempre a cair de sono, pôs-se, muito espevitado, a tentar compreender o sentido íntimo de cada invocação.
- Santo André Avelino nos livre de morte repentina...
Pai e filho respondiam à uma:
- Padre-nosso, que estais no céu...
- São Bartolomeu nos livre das tentações do demónio, dos maus vizinhos à porta, das más horas...
- Padre-nosso... Contudo,, a atenção do garoto não tardou a cansar-se. No terceiro mistério a sua voz cambaleava. E na Salve-Rainha, abóbada do solene ritual, parecia que levara com uma moca na cabeça. Ia já a tombar no preguiceiro, quando o amém definitivo o fez voltar à vida. Escorou então as pálpebras com toda a força que pôde, e lá conseguiu fitar o pai numa derradeira pergunta:
- Certo, certo, que traz? A mãe é que lhe não deixou arrancar a última confirmação desejada. Pegou-lhe no braço adormecido, ergueu-o, quase que o arrastou até ao quarto, e daí a nada o Júlio caía num sono fundo, toldado apenas pela incerteza em que adormecera.
De manhã, quando acordou já o pai tinha partido. A Vila ficava a três léguas e a feira começava cedo. O costume. Foi então prender a cabra, numa preocupação gostosa, morna, que lhe dava vagares em todas as encruzilhadas, enlevado a olhar as silvas e as pedras.
- Tu parece que andas parvo, rapaz! A mãe não podia compreender o que significava para ele receber uma prenda - estender a mão e ver nela, não a malga de caldo habitual, mas qualquer coisa de inesperado e gratuito, que fosse a irrealidade da riqueza na realidade duma pobreza conhecida de lés a lés. Por isso se arreliou tanto quando o viu, ao almoço, virar a cara aos carolos, e ao meio-dia comer apenas o rabo de uma sardinha.
Pronto, só lhe faltava agora mais essa desgraça! Que o filho ficasse doente. Um dentinho real a deixar o caldo!
Coitada, via-se bem que gostava dele...
O que é... E tão fácil de perceber!
Quando a noite veio caindo dos lados de S. Cibrão, cansado de guardar o caminho velho por onde desde que o mundo é mundo se regressa da Vila, pediu à mãe que o deixasse ir esperar o pai. Só até à Castanheira...
Se não via a névoa a cobrir tudo! Se não ouvira as Trindades! Tivesse juizinho.
Olhou a mãe mais demoradamente. Tão sua amiga, tão boa, e não ser capaz de entender!
Resignou-se. Ficaria ali até o pai apontar ao fundo da Silveirinha. E logo que o descortinasse, ó pernas! Mas que seria a prenda? Que seria?
O nevoeiro, que quando a mãe falou cobria apenas o monte de S. Romão, descera agora espesso e molhado sobre o povo. E com ele viera também a noite.
Da Porta já se não enxergava nada. Além de que a chuva, o vento e o frio, que se juntaram naquela hora, enregelavam tudo. A tremelicar, foi-se chegando à lareira.
- O pai demora-se...
- Não que ir à Vila e voltar tem que se lhe diga...
Via-se bem que também ela estava inquieta. Seria que, como ele, esperasse por uma prenda?
Cerrou-se a escuridão. O aguaceiro agora cala a cântaros. Pelas frinchas da casa o vento ia dando punhaladas traiçoeiras.
- Valha-me Deus!
O lamento da mãe acabou de encher a cozinha, já meia testa de fumo.
- Que noite! E aquele homem por lá! Olhou-a com os olhos vermelhos da fogueira de lenha verde.
De súbito, à ideia da prenda, que, alegre, o acompanhara todo o dia, juntou-se-lhe uma outra, triste, imprecisa, que lhe meteu medo.
- O tio Adriano também foi> pois foi?
- Foi. Novamente um grande silêncio caiu entre eles. Mas durou pouco.
- Vais cear e dormir, que são horas.
- Eu queria esperar pelo pai!
- Vais cear e dormir... Embora obrigado, nem o caldo lhe passou pela garganta, nem o sono, na cama, lhe fechava os olhos. No escuro ouvia a mãe chorar, suspirar, e as bátegas grossas e pesadas a martelar o telhado.
De repente sentiu passos no quinteiro. Até que enfim! Era o pai! O que seria a prenda ?
A pessoa que vinha bateu de leve e chamou baixo:
- Maria...
- Quem é? - perguntou a mãe.
- Sou eu, o Adriano...
O coração deu-lhe um baque. Então o tio Adriano voltava sozinho?!
Pôs-se a ouvir, como um bicho aflito. E daí a nada sabia que o pai fora morto num barulho, e que no sítio onde caíra com a facada lá ficara ao lado dum cavaquinho que lhe trazia.

musica do dia...

Wilson Simoninha - Nem vem que não tem

www.youtube.com/watch?v=I04ns9mcc8M

Ahahahahahaha!
-"Vamos voltar a pilantragem.
Xá comigo, uma musiquinha
Prá machucar os corações"

Nem Vem Que Não Tem
Nem vem de garfo
Que hoje é dia de sopa
Esquenta o ferro
Passa a minha roupa
Eu nesse embalo
Vou botar prá quebrar
Sacudim, sacundá
Sacundim, gundim, gundá!...

Nem Vem Que Não Tem
Nem vem de escada
Que o incêndio é no porão
Tira o tamanco
Tem sinteco no chão
Eu nesse embalo
Vou botar prá quebrar
Sacudim, sacundá
Sacundim, gundim, gundá!...

Nem Vem!
Numa casa de caboclo
Já disseram um é pouco
Dois é bom, três é demais
Nem Vem!
Guarda teu lugar na fila
Todo homem que vacila
A mulher passa prá trás...

Nem Vem Que Não Tem
Prá virar cinza
Minha brasa demora
Michô meu papo
Mas já vamos'imbora
Eu nesse embalo
Vou botar prá quebrar
Sacudim, sacundá
Sacundim, gundim, gundá!...

Nem Vem!
Numa casa de caboclo
Já disseram um é pouco
Dois é bom, três é demais
Nem Vem!
Guarda teu lugar na fila
Todo homem que vacila
A mulher passa prá trás...

Nem Vem Que Não Tem!

oh happy day! (ainda em 2008)

Dizem os entendidos que poucos grupos oferecem um gospel mais autêntico do que o Mississipi Gospel Choir. Fundado em 1968, o colectivo é a face mais visível da Afro-American Student Organization da Universidade de Southern Mississippi. Mantém todos os traços originais do canto de origem africana: as potentes vozes negras, a espiritualidade e a mensagem de paz, mas também a utilização da música como veículo de ideias e reivindicações sociais.



MD (mete discos) @ nye08-09