sábado, 26 de dezembro de 2009
o senhor do costume...
O que é bonito neste mundo, e anima, é ver que na vindima de cada sonho fica a cepa a sonhar outra aventura. E que a doçura que não se prova se transfigura noutra doçura muito mais pura e muito mais nova.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
terça-feira, 1 de setembro de 2009
joao pereira coutinho dixit
'Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho.
Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima.
Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade! '
Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima.
Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade! '
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
domingo, 26 de julho de 2009
terça-feira, 23 de junho de 2009
william shakespeare
Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. Aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos, presentes não são promessas.
E por muito boa que seja uma pessoa, ela vai ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso.
Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas segundos a destruí-la, e que podes fazer coisas num instante das quais te arrependerás o resto da vida.
Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que tu tens na vida, mas quem tens na vida. Descobres que as pessoas com quem mais te importas na vida, te são levadas muito depressa; por isso, deves sempre deixar as pessoas que amas com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vês. Aprendes que a paciência requer muita prática. Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito a seres cruel. Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém. Algumas vezes, terás de aprender a perdoar-te a ti mesmo. Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, tu serás, em algum momento, condenado. Aprendes que por muitos pedaços que teu coração se tenha partido, o mundo não pára para que tu o consertes.
E, finalmente, aprendes que o tempo não é algo que volta para trás.
Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, em vez de esperares que alguém te traga flores. E percebe que realmente podes suportar... que realmente és forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensares que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor, e que tu tens valor diante da vida!
E só nos faz perder o bem que poderíamos conquistar... o medo de tentar!
E por muito boa que seja uma pessoa, ela vai ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso.
Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas segundos a destruí-la, e que podes fazer coisas num instante das quais te arrependerás o resto da vida.
Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que tu tens na vida, mas quem tens na vida. Descobres que as pessoas com quem mais te importas na vida, te são levadas muito depressa; por isso, deves sempre deixar as pessoas que amas com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vês. Aprendes que a paciência requer muita prática. Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito a seres cruel. Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém. Algumas vezes, terás de aprender a perdoar-te a ti mesmo. Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, tu serás, em algum momento, condenado. Aprendes que por muitos pedaços que teu coração se tenha partido, o mundo não pára para que tu o consertes.
E, finalmente, aprendes que o tempo não é algo que volta para trás.
Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, em vez de esperares que alguém te traga flores. E percebe que realmente podes suportar... que realmente és forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensares que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor, e que tu tens valor diante da vida!
E só nos faz perder o bem que poderíamos conquistar... o medo de tentar!
quinta-feira, 18 de junho de 2009
segunda-feira, 15 de junho de 2009
domingo, 14 de junho de 2009
sábado, 13 de junho de 2009
quarta-feira, 3 de junho de 2009
domingo, 31 de maio de 2009
espirito verde, coracao nas maos...
porque ha quem precise de nos.
porque para os outros podemos ser tudo, num instante so.
e porque e tao bem melhor dar do que receber,
dei um pouco de mim esta semana!
a quem nao conheco.
e a quem embora desconhecido me parece familiar.
corremos de um lado para o outro e nem reparamos no essencial...
fiquei feliz... so por fazer sorrir alguem! que nao conheco. mas que tambem tem coracao!
porque para os outros podemos ser tudo, num instante so.
e porque e tao bem melhor dar do que receber,
dei um pouco de mim esta semana!
a quem nao conheco.
e a quem embora desconhecido me parece familiar.
corremos de um lado para o outro e nem reparamos no essencial...
fiquei feliz... so por fazer sorrir alguem! que nao conheco. mas que tambem tem coracao!
segunda-feira, 25 de maio de 2009
domingo, 24 de maio de 2009
quarta-feira, 20 de maio de 2009
domingo, 17 de maio de 2009
domingo, 10 de maio de 2009
terça-feira, 28 de abril de 2009
domingo, 26 de abril de 2009
quinta-feira, 23 de abril de 2009
try again
One look
you know that you've fallen
she knocks you over
you say this is it
Perfect
straight from a movie
he says all the right things
you know he's the one
Next time around
try again
Weeks pass
still kind of perfect
my heart's removed now
I gave it to you
Passion
you constantly move me
further and further
reaching my soul
Next time around
try again
Tonight
plans for a movie
you call me to cancel
girls going dancing
Sundays
our romantic picnics
turn into football
boys will be boys
Now months pass
knowing you love me
I've taken you forever
together for granted
Next time around
try again
Home late
you won't even kiss me
the eyes of my angel
accuse me I'm guilty
Follow me
to my friends' house
hide 'cause we're dying
jealousy is cancer
Next time around
try again
You never give me any space
or time to breed
Try again
Sometimes I wish you'd leave alone
and get away from me
Try again
I can't believe you'd say these things
if you're in love with me
Try again
I never thought you'd ever say
those awful things to me
Try again
Oh no
the roses I gave you
are suddenly fading
along with our love
Who cares
the credits are rolling
love's just a movie
there's always an end
Love is what it is
It just is
Love is what it is
It just is
segunda-feira, 13 de abril de 2009
segunda-feira, 6 de abril de 2009
domingo, 29 de março de 2009
sexta-feira, 27 de março de 2009
salto alto
salto alto...
vestido preto colado ao corpo...
nao me respondes.
nao das um pequeno sinal de que pelo menos me procuras... de que estas ai...
vejo-te retratada num futuro que nao e o teu, que nao e aquele que um dia me contaste... com tanto carinho...
e volto ao meu pensamento. salto alto... salto de sapato sexy, salto de vida. de amor.
vestido preto colado ao corpo...
nao me respondes.
nao das um pequeno sinal de que pelo menos me procuras... de que estas ai...
vejo-te retratada num futuro que nao e o teu, que nao e aquele que um dia me contaste... com tanto carinho...
e volto ao meu pensamento. salto alto... salto de sapato sexy, salto de vida. de amor.
quinta-feira, 26 de março de 2009
so hoje reparei que...
... este blog ja tem mais de 2anos!
tao novinho, e com tanto para contar!
hoje estou feliz. nao sei bem porque... nao me aconteceu nada especial. mas sinto-me bem. deve ser deste sol maravilhoso que ilumina o "meu" atlantico e aquece a minha alma!
queria que tambem estivessem bem... sei que estao!
non dimenticare: LA VITA E BELLA! soltanto un sorriso...
tao novinho, e com tanto para contar!
hoje estou feliz. nao sei bem porque... nao me aconteceu nada especial. mas sinto-me bem. deve ser deste sol maravilhoso que ilumina o "meu" atlantico e aquece a minha alma!
queria que tambem estivessem bem... sei que estao!
non dimenticare: LA VITA E BELLA! soltanto un sorriso...
terça-feira, 24 de março de 2009
as minhas fotografias nas palavras de miguel torga... quem mais poderia escrever isto?!
segunda-feira, 23 de março de 2009
sábado, 21 de março de 2009
torga, o segundo dia.
"Duas coisas tão grandes quanto difíceis são necessárias à glória de um homem: suportar o infortúnio, resignando-se com firmeza, e crer no bem e confiar nele com perseverança."
sexta-feira, 13 de março de 2009
jovanotti - a te
A te che mi hai insegnato i sogni
E l’arte dell’avventura
A te che credi nel coraggio
E anche nella paura
A te che sei la miglior cosa
Che mi sia successa
A te che cambi tutti i giorni
E resti sempre la stessa
A te che sei
Semplicemente sei
Sostanza dei giorni miei
Sostanza dei sogni miei
terça-feira, 10 de março de 2009
torga. prefácio do livro "Criação do mundo"
Todos nós criamos o mundo à nossa medida. O mundo longo dos longevos e curto dos que partem prematuramente. O mundo simples dos simples e o complexo dos complicados. Criamo-lo na consciência, dando a cada acidente, facto ou comportamento a significação intelectual ou afectiva que a nossa mente ou a nossa sensibilidade consentem. E o certo é que há tantos mundos como criaturas. Luminosos uns, brumosos outros, e todos singulares. O meu tinha de ser como é, uma torrente de emoções, volições, paixões e intelecções a correr desde a infância à velhice no chão duro de uma realidade proteica, convulsionada por guerras, catástrofes, tiranias e abominações, e também rica de mil potencialidades, que ficará na História como paradigma do mais infausto e nefasto que a humanidade conheceu, a par do mais promissor. Mundo de contrastes, lírico e atormentado, de ascenções e quedas, onde a esperança, apesar de sucessivamente desiludida, deu sempre um ar da sua graça, e que não trocaria por nenhum outro, se tivesse que escolher.
(...como eu "bebo e saboreio" cada palavra deste "meu" torga...)
(...como eu "bebo e saboreio" cada palavra deste "meu" torga...)
segunda-feira, 9 de março de 2009
verdadeiros herois portugueses...
Qualquer viagem aérea é um ponto de interrogação e muito mais esta, que apresenta numerosas dificuldades. Conheço o ´bico de obra´ que ela é e posso dizer que há cinquenta por cento de probabilidades a seu favor e outras tantas contra. A viagem é possível, mas para isso é preciso que tudo corra normalmente ou, se assim o quiserem, que o Padre Eterno se conserve ´pelo menos´ neutral no pleito que se vai travar entre nós e os elementos. Façamos votos por que assim aconteça, mas não cantemos vitória antes de tempo porque... ele nem sempre está de bom humor.
(Sacadura Cabral)
http://www.vidaslusofonas.pt/sacadura_cabral.htm
(Sacadura Cabral)
http://www.vidaslusofonas.pt/sacadura_cabral.htm
domingo, 8 de março de 2009
zeca pagodinho... que saudades
Gosto que me enrosque
Num rabo de saia
Quero carinho quero cafuné
Esse teu decote
Me tira o sossego
Vem me dar um chamego
Se você quiser
O seu remelexo
É um caso sério
Esconde um mistério
Que eu vou desvendar
Mas você pitelzinho
Faz logo um charminho
Prá me maltratar...
Não faz assim
Que eu posso até me apaixonar
Faz assim
Que eu posso até me apaixonar
Não faz assim
Que eu posso até me apaixonar
Faz assim
Que eu posso até me apaixonar...
Fingindo inocente
Toda saliente
Vem me olhando diferente
Chego a estremecer
Meu Deus que avião
Chamando minha atenção
Balança meu coração
E quer me enlouquecer
Machuca esse seu nêgo
Eu não vou pedir arrêgo
Não vou fraquejar
Você fazendo jogo duro
Só penso no teu sussurro
Dentro de um quarto escuro
Querendo me amar
É!...
Não faz assim
Que eu posso até me apaixonar
Faz assim
Que eu posso até me apaixonar
Não faz assim
Que eu posso até me apaixonar
Faz assim
Que eu posso até me apaixonar...
Pedaço de mau caminho
Esse seu umbiguinho
Me deixa em desalinho
Juro que não ligo
Já é do metiê
Por uma saia de crochê
Ou um belo bustiê
Só prá acabar comigo
Senhor como é que pode
Essa mina no pagode
Chega prá abalar
Corpo queimado de praia
Blusa tomará que caia
Noite inteira na gandaia
Ela só quer sambar
É!...
Não faz assim
Que eu posso até me apaixonar
Faz assim
Que eu posso até me apaixonar
Não faz assim
Que eu posso até me apaixonar
Faz assim
Que eu posso até me apaixonar...
Num rabo de saia
Quero carinho quero cafuné
Esse teu decote
Me tira o sossego
Vem me dar um chamego
Se você quiser
O seu remelexo
É um caso sério
Esconde um mistério
Que eu vou desvendar
Mas você pitelzinho
Faz logo um charminho
Prá me maltratar...
Não faz assim
Que eu posso até me apaixonar
Faz assim
Que eu posso até me apaixonar
Não faz assim
Que eu posso até me apaixonar
Faz assim
Que eu posso até me apaixonar...
Fingindo inocente
Toda saliente
Vem me olhando diferente
Chego a estremecer
Meu Deus que avião
Chamando minha atenção
Balança meu coração
E quer me enlouquecer
Machuca esse seu nêgo
Eu não vou pedir arrêgo
Não vou fraquejar
Você fazendo jogo duro
Só penso no teu sussurro
Dentro de um quarto escuro
Querendo me amar
É!...
Não faz assim
Que eu posso até me apaixonar
Faz assim
Que eu posso até me apaixonar
Não faz assim
Que eu posso até me apaixonar
Faz assim
Que eu posso até me apaixonar...
Pedaço de mau caminho
Esse seu umbiguinho
Me deixa em desalinho
Juro que não ligo
Já é do metiê
Por uma saia de crochê
Ou um belo bustiê
Só prá acabar comigo
Senhor como é que pode
Essa mina no pagode
Chega prá abalar
Corpo queimado de praia
Blusa tomará que caia
Noite inteira na gandaia
Ela só quer sambar
É!...
Não faz assim
Que eu posso até me apaixonar
Faz assim
Que eu posso até me apaixonar
Não faz assim
Que eu posso até me apaixonar
Faz assim
Que eu posso até me apaixonar...
sexta-feira, 6 de março de 2009
alguma coisa nao funcionou...
fui a casa de saude da foz ao fim da tarde...
mandaram-me para o sasu, aberto das 20 as 24h.
fui ao sasu as 22h.
mandaram-me para a casa de saude.
ou seja, estou perdido! o que vale e que tenho tempo...
mandaram-me para o sasu, aberto das 20 as 24h.
fui ao sasu as 22h.
mandaram-me para a casa de saude.
ou seja, estou perdido! o que vale e que tenho tempo...
quarta-feira, 4 de março de 2009
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
sergio mendes & jovanotti
Vado matto per te
Vado matto per te
Vado matto per tutta la vita che c’è
Per tutta la vita che c’è
Sulla riva del mare
La riva del mare
...la riva del mare
Vado matto per te
Vado matto per tutta la vita che c’è
Per tutta la vita che c’è
Sulla riva del mare
La riva del mare
...la riva del mare
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Torga. Viagem. 1962.
Aparelhei o barco da ilusão
E reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar...
(Só nos é concedida
Esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos).
Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura...
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura,
O que importa é partir, não é chegar.
E reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar...
(Só nos é concedida
Esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos).
Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura...
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura,
O que importa é partir, não é chegar.
domingo, 25 de janeiro de 2009
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
o "meu" torga... que entra no coração
Miguel Torga - Contos da Montanha
O Cavaquinho
O Ronda era o homem mais pobre de Vilela. Mas teve uma tal alegria quando o filho, o Júlio, fez o primeiro exame com óptimo, que prometeu pela sua salvação que lhe havia de dar uma prenda no Natal. O rapaz ouviu-lhe a jura desconfiado. Apesar dos dez anos, já conhecia a vida. Uma prenda, se nem dinheiro havia para broa! Em todo o caso, pelo sim, pelo não, foi pondo de vez em quando uma acha na lembrança do pai, e em Dezembro, na véspera da feira dos 23, avivou a chama:
- Então sempre vai à Vila?
- Pois vou.
- E traz-me a prenda?
- Trago.
Fez-se silêncio. A ceia tinha sido caldo de couves e castanhas cozidas. Mais nada. A noite estava de invernia. Sobre o telhado caíam bátegas rijas de chuva. E como a casa era de pedra solta e telha vã, cheia de frestas, o vento, que parecia o diabo, de vez em quando entrava por um buraco a assobiar, passava cheio de humidade pela chama da candeia, que se torcia toda, e sumia-se por debaixo da porta como um fantasma. Mas a murra de castanheiro a arder e aquela firmeza com que o Ronda garantiu a promessa, doiravam tudo de fartura e aconchego.
- E o que é quemevai dar?
- Isso agora...
- O que é?! Foi preciso a mãe arrumar o assunto com as rezas e a cama.
- Infinitas graças vos sejam dadas, meu Deus e meu Senhor...
As palavras saíam-lhe da boca límpidas, quentes, solenes. E o pequeno, que já ouvira aquela lenga-lenga milhentas vezes, sempre a cair de sono, pôs-se, muito espevitado, a tentar compreender o sentido íntimo de cada invocação.
- Santo André Avelino nos livre de morte repentina...
Pai e filho respondiam à uma:
- Padre-nosso, que estais no céu...
- São Bartolomeu nos livre das tentações do demónio, dos maus vizinhos à porta, das más horas...
- Padre-nosso... Contudo,, a atenção do garoto não tardou a cansar-se. No terceiro mistério a sua voz cambaleava. E na Salve-Rainha, abóbada do solene ritual, parecia que levara com uma moca na cabeça. Ia já a tombar no preguiceiro, quando o amém definitivo o fez voltar à vida. Escorou então as pálpebras com toda a força que pôde, e lá conseguiu fitar o pai numa derradeira pergunta:
- Certo, certo, que traz? A mãe é que lhe não deixou arrancar a última confirmação desejada. Pegou-lhe no braço adormecido, ergueu-o, quase que o arrastou até ao quarto, e daí a nada o Júlio caía num sono fundo, toldado apenas pela incerteza em que adormecera.
De manhã, quando acordou já o pai tinha partido. A Vila ficava a três léguas e a feira começava cedo. O costume. Foi então prender a cabra, numa preocupação gostosa, morna, que lhe dava vagares em todas as encruzilhadas, enlevado a olhar as silvas e as pedras.
- Tu parece que andas parvo, rapaz! A mãe não podia compreender o que significava para ele receber uma prenda - estender a mão e ver nela, não a malga de caldo habitual, mas qualquer coisa de inesperado e gratuito, que fosse a irrealidade da riqueza na realidade duma pobreza conhecida de lés a lés. Por isso se arreliou tanto quando o viu, ao almoço, virar a cara aos carolos, e ao meio-dia comer apenas o rabo de uma sardinha.
Pronto, só lhe faltava agora mais essa desgraça! Que o filho ficasse doente. Um dentinho real a deixar o caldo!
Coitada, via-se bem que gostava dele...
O que é... E tão fácil de perceber!
Quando a noite veio caindo dos lados de S. Cibrão, cansado de guardar o caminho velho por onde desde que o mundo é mundo se regressa da Vila, pediu à mãe que o deixasse ir esperar o pai. Só até à Castanheira...
Se não via a névoa a cobrir tudo! Se não ouvira as Trindades! Tivesse juizinho.
Olhou a mãe mais demoradamente. Tão sua amiga, tão boa, e não ser capaz de entender!
Resignou-se. Ficaria ali até o pai apontar ao fundo da Silveirinha. E logo que o descortinasse, ó pernas! Mas que seria a prenda? Que seria?
O nevoeiro, que quando a mãe falou cobria apenas o monte de S. Romão, descera agora espesso e molhado sobre o povo. E com ele viera também a noite.
Da Porta já se não enxergava nada. Além de que a chuva, o vento e o frio, que se juntaram naquela hora, enregelavam tudo. A tremelicar, foi-se chegando à lareira.
- O pai demora-se...
- Não que ir à Vila e voltar tem que se lhe diga...
Via-se bem que também ela estava inquieta. Seria que, como ele, esperasse por uma prenda?
Cerrou-se a escuridão. O aguaceiro agora cala a cântaros. Pelas frinchas da casa o vento ia dando punhaladas traiçoeiras.
- Valha-me Deus!
O lamento da mãe acabou de encher a cozinha, já meia testa de fumo.
- Que noite! E aquele homem por lá! Olhou-a com os olhos vermelhos da fogueira de lenha verde.
De súbito, à ideia da prenda, que, alegre, o acompanhara todo o dia, juntou-se-lhe uma outra, triste, imprecisa, que lhe meteu medo.
- O tio Adriano também foi> pois foi?
- Foi. Novamente um grande silêncio caiu entre eles. Mas durou pouco.
- Vais cear e dormir, que são horas.
- Eu queria esperar pelo pai!
- Vais cear e dormir... Embora obrigado, nem o caldo lhe passou pela garganta, nem o sono, na cama, lhe fechava os olhos. No escuro ouvia a mãe chorar, suspirar, e as bátegas grossas e pesadas a martelar o telhado.
De repente sentiu passos no quinteiro. Até que enfim! Era o pai! O que seria a prenda ?
A pessoa que vinha bateu de leve e chamou baixo:
- Maria...
- Quem é? - perguntou a mãe.
- Sou eu, o Adriano...
O coração deu-lhe um baque. Então o tio Adriano voltava sozinho?!
Pôs-se a ouvir, como um bicho aflito. E daí a nada sabia que o pai fora morto num barulho, e que no sítio onde caíra com a facada lá ficara ao lado dum cavaquinho que lhe trazia.
O Cavaquinho
O Ronda era o homem mais pobre de Vilela. Mas teve uma tal alegria quando o filho, o Júlio, fez o primeiro exame com óptimo, que prometeu pela sua salvação que lhe havia de dar uma prenda no Natal. O rapaz ouviu-lhe a jura desconfiado. Apesar dos dez anos, já conhecia a vida. Uma prenda, se nem dinheiro havia para broa! Em todo o caso, pelo sim, pelo não, foi pondo de vez em quando uma acha na lembrança do pai, e em Dezembro, na véspera da feira dos 23, avivou a chama:
- Então sempre vai à Vila?
- Pois vou.
- E traz-me a prenda?
- Trago.
Fez-se silêncio. A ceia tinha sido caldo de couves e castanhas cozidas. Mais nada. A noite estava de invernia. Sobre o telhado caíam bátegas rijas de chuva. E como a casa era de pedra solta e telha vã, cheia de frestas, o vento, que parecia o diabo, de vez em quando entrava por um buraco a assobiar, passava cheio de humidade pela chama da candeia, que se torcia toda, e sumia-se por debaixo da porta como um fantasma. Mas a murra de castanheiro a arder e aquela firmeza com que o Ronda garantiu a promessa, doiravam tudo de fartura e aconchego.
- E o que é quemevai dar?
- Isso agora...
- O que é?! Foi preciso a mãe arrumar o assunto com as rezas e a cama.
- Infinitas graças vos sejam dadas, meu Deus e meu Senhor...
As palavras saíam-lhe da boca límpidas, quentes, solenes. E o pequeno, que já ouvira aquela lenga-lenga milhentas vezes, sempre a cair de sono, pôs-se, muito espevitado, a tentar compreender o sentido íntimo de cada invocação.
- Santo André Avelino nos livre de morte repentina...
Pai e filho respondiam à uma:
- Padre-nosso, que estais no céu...
- São Bartolomeu nos livre das tentações do demónio, dos maus vizinhos à porta, das más horas...
- Padre-nosso... Contudo,, a atenção do garoto não tardou a cansar-se. No terceiro mistério a sua voz cambaleava. E na Salve-Rainha, abóbada do solene ritual, parecia que levara com uma moca na cabeça. Ia já a tombar no preguiceiro, quando o amém definitivo o fez voltar à vida. Escorou então as pálpebras com toda a força que pôde, e lá conseguiu fitar o pai numa derradeira pergunta:
- Certo, certo, que traz? A mãe é que lhe não deixou arrancar a última confirmação desejada. Pegou-lhe no braço adormecido, ergueu-o, quase que o arrastou até ao quarto, e daí a nada o Júlio caía num sono fundo, toldado apenas pela incerteza em que adormecera.
De manhã, quando acordou já o pai tinha partido. A Vila ficava a três léguas e a feira começava cedo. O costume. Foi então prender a cabra, numa preocupação gostosa, morna, que lhe dava vagares em todas as encruzilhadas, enlevado a olhar as silvas e as pedras.
- Tu parece que andas parvo, rapaz! A mãe não podia compreender o que significava para ele receber uma prenda - estender a mão e ver nela, não a malga de caldo habitual, mas qualquer coisa de inesperado e gratuito, que fosse a irrealidade da riqueza na realidade duma pobreza conhecida de lés a lés. Por isso se arreliou tanto quando o viu, ao almoço, virar a cara aos carolos, e ao meio-dia comer apenas o rabo de uma sardinha.
Pronto, só lhe faltava agora mais essa desgraça! Que o filho ficasse doente. Um dentinho real a deixar o caldo!
Coitada, via-se bem que gostava dele...
O que é... E tão fácil de perceber!
Quando a noite veio caindo dos lados de S. Cibrão, cansado de guardar o caminho velho por onde desde que o mundo é mundo se regressa da Vila, pediu à mãe que o deixasse ir esperar o pai. Só até à Castanheira...
Se não via a névoa a cobrir tudo! Se não ouvira as Trindades! Tivesse juizinho.
Olhou a mãe mais demoradamente. Tão sua amiga, tão boa, e não ser capaz de entender!
Resignou-se. Ficaria ali até o pai apontar ao fundo da Silveirinha. E logo que o descortinasse, ó pernas! Mas que seria a prenda? Que seria?
O nevoeiro, que quando a mãe falou cobria apenas o monte de S. Romão, descera agora espesso e molhado sobre o povo. E com ele viera também a noite.
Da Porta já se não enxergava nada. Além de que a chuva, o vento e o frio, que se juntaram naquela hora, enregelavam tudo. A tremelicar, foi-se chegando à lareira.
- O pai demora-se...
- Não que ir à Vila e voltar tem que se lhe diga...
Via-se bem que também ela estava inquieta. Seria que, como ele, esperasse por uma prenda?
Cerrou-se a escuridão. O aguaceiro agora cala a cântaros. Pelas frinchas da casa o vento ia dando punhaladas traiçoeiras.
- Valha-me Deus!
O lamento da mãe acabou de encher a cozinha, já meia testa de fumo.
- Que noite! E aquele homem por lá! Olhou-a com os olhos vermelhos da fogueira de lenha verde.
De súbito, à ideia da prenda, que, alegre, o acompanhara todo o dia, juntou-se-lhe uma outra, triste, imprecisa, que lhe meteu medo.
- O tio Adriano também foi> pois foi?
- Foi. Novamente um grande silêncio caiu entre eles. Mas durou pouco.
- Vais cear e dormir, que são horas.
- Eu queria esperar pelo pai!
- Vais cear e dormir... Embora obrigado, nem o caldo lhe passou pela garganta, nem o sono, na cama, lhe fechava os olhos. No escuro ouvia a mãe chorar, suspirar, e as bátegas grossas e pesadas a martelar o telhado.
De repente sentiu passos no quinteiro. Até que enfim! Era o pai! O que seria a prenda ?
A pessoa que vinha bateu de leve e chamou baixo:
- Maria...
- Quem é? - perguntou a mãe.
- Sou eu, o Adriano...
O coração deu-lhe um baque. Então o tio Adriano voltava sozinho?!
Pôs-se a ouvir, como um bicho aflito. E daí a nada sabia que o pai fora morto num barulho, e que no sítio onde caíra com a facada lá ficara ao lado dum cavaquinho que lhe trazia.
musica do dia...
Wilson Simoninha - Nem vem que não tem
www.youtube.com/watch?v=I04ns9mcc8M
Ahahahahahaha!
-"Vamos voltar a pilantragem.
Xá comigo, uma musiquinha
Prá machucar os corações"
Nem Vem Que Não Tem
Nem vem de garfo
Que hoje é dia de sopa
Esquenta o ferro
Passa a minha roupa
Eu nesse embalo
Vou botar prá quebrar
Sacudim, sacundá
Sacundim, gundim, gundá!...
Nem Vem Que Não Tem
Nem vem de escada
Que o incêndio é no porão
Tira o tamanco
Tem sinteco no chão
Eu nesse embalo
Vou botar prá quebrar
Sacudim, sacundá
Sacundim, gundim, gundá!...
Nem Vem!
Numa casa de caboclo
Já disseram um é pouco
Dois é bom, três é demais
Nem Vem!
Guarda teu lugar na fila
Todo homem que vacila
A mulher passa prá trás...
Nem Vem Que Não Tem
Prá virar cinza
Minha brasa demora
Michô meu papo
Mas já vamos'imbora
Eu nesse embalo
Vou botar prá quebrar
Sacudim, sacundá
Sacundim, gundim, gundá!...
Nem Vem!
Numa casa de caboclo
Já disseram um é pouco
Dois é bom, três é demais
Nem Vem!
Guarda teu lugar na fila
Todo homem que vacila
A mulher passa prá trás...
Nem Vem Que Não Tem!
www.youtube.com/watch?v=I04ns9mcc8M
Ahahahahahaha!
-"Vamos voltar a pilantragem.
Xá comigo, uma musiquinha
Prá machucar os corações"
Nem Vem Que Não Tem
Nem vem de garfo
Que hoje é dia de sopa
Esquenta o ferro
Passa a minha roupa
Eu nesse embalo
Vou botar prá quebrar
Sacudim, sacundá
Sacundim, gundim, gundá!...
Nem Vem Que Não Tem
Nem vem de escada
Que o incêndio é no porão
Tira o tamanco
Tem sinteco no chão
Eu nesse embalo
Vou botar prá quebrar
Sacudim, sacundá
Sacundim, gundim, gundá!...
Nem Vem!
Numa casa de caboclo
Já disseram um é pouco
Dois é bom, três é demais
Nem Vem!
Guarda teu lugar na fila
Todo homem que vacila
A mulher passa prá trás...
Nem Vem Que Não Tem
Prá virar cinza
Minha brasa demora
Michô meu papo
Mas já vamos'imbora
Eu nesse embalo
Vou botar prá quebrar
Sacudim, sacundá
Sacundim, gundim, gundá!...
Nem Vem!
Numa casa de caboclo
Já disseram um é pouco
Dois é bom, três é demais
Nem Vem!
Guarda teu lugar na fila
Todo homem que vacila
A mulher passa prá trás...
Nem Vem Que Não Tem!
oh happy day! (ainda em 2008)
Dizem os entendidos que poucos grupos oferecem um gospel mais autêntico do que o Mississipi Gospel Choir. Fundado em 1968, o colectivo é a face mais visível da Afro-American Student Organization da Universidade de Southern Mississippi. Mantém todos os traços originais do canto de origem africana: as potentes vozes negras, a espiritualidade e a mensagem de paz, mas também a utilização da música como veículo de ideias e reivindicações sociais.


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